top of page

Reposição Hormonal Feminina

Você sente que seu corpo mudou — o sono já não é o mesmo, a energia caiu, o humor oscila e o metabolismo parece mais lento?
Essas transformações fazem parte de um processo natural do corpo feminino, mas não significam perda de vitalidade.


A reposição hormonal feminina, quando bem indicada e acompanhada, tem como objetivo restaurar o equilíbrio fisiológico dos hormônios e promover uma vida com bem-estar, disposição e saúde metabólica.

Mais do que tratar sintomas, o propósito é recuperar a harmonia entre corpo e mente, com segurança e respaldo científico.

O que é o declínio hormonal feminino

A partir dos 40 anos (e, em alguns casos, antes disso), pode ocorrer o inicio da perimenopausa — fase em que a produção de estrogênio e progesterona começa a oscilar até cessar completamente na menopausa.
 

Essa transição pode gerar sintomas intensos que afetam o dia a dia e a qualidade de vida, como:

  • Ondas de calor e suor noturno

  • Irritabilidade e ansiedade

  • Insônia e dificuldade de concentração

  • Queda da libido e secura vaginal

  • Ganho de peso e alteração na distribuição de gordura corporal

  • Redução da densidade óssea e massa muscular

 

Essas alterações não são apenas desconfortáveis: também estão ligadas ao aumento do risco cardiovascular, à resistência à insulina e à perda de massa óssea — tornando o acompanhamento médico essencial.

Momento ideal para iniciar a reposição hormonal

Os estudos mais recentes mostram que o momento de início da terapia hormonal é determinante para sua eficácia e segurança.
 

Esse conceito é conhecido como "janela de oportunidade terapêutica":

​TABELA

Em resumo: quanto mais precoce o início da terapia hormonal, maior o benefício e menor o risco.
Iniciar a reposição logo após o surgimento dos sintomas ou nos primeiros 5 anos da menopausa traz efeitos protetores sobre ossos, coração e cérebro, comprovados por grandes estudos clínicos (WHI, KEEPS, ELITE).

 

Avaliação e Diagnóstico

Antes de iniciar qualquer terapia hormonal, é indispensável uma avaliação clínica individualizada, que inclui:

  • Histórico menstrual e reprodutivo

  • Avaliação de sintomas e impacto na qualidade de vida

  • Exames laboratoriais (FSH, LH, estradiol, progesterona, testosterona, TSH)

  • Exames complementares (mamografia, ultrassonografia pélvica e endometrial, perfil lipídico e glicêmico)

 

O tratamento deve ser personalizado, considerando idade, sintomas, tempo de menopausa, histórico familiar e riscos individuais.

Estradiol — O principal hormônio da reposição feminina

O estradiol (E2) é o estrogênio bioidêntico mais utilizado e o principal responsável pelos efeitos protetores da terapia.
Pode ser administrado por diferentes vias, com perfis farmacológicos distintos:

TABELA

O estradiol transdérmico é o mais recomendado pela SBEM e pela North American Menopause Society (NAMS), devido à segurança cardiovascular e melhor controle metabólico.

Nas mulheres histerectomizadas, o estradiol isolado é suficiente.

 

Progesterona — O equilíbrio e a proteção endometrial

A progesterona complementa o tratamento, protegendo o endométrio do estímulo proliferativo do estrogênio e promovendo melhora do sono e bem-estar.

TABELA

A progesterona nunca deve ser omitida em pacientes com útero íntegro.
 

 

Testosterona Feminina — Indicação restrita e criteriosa

A testosterona também é produzida naturalmente em pequenas quantidades nas mulheres.
 

Sua utilização deve ser restrita e clínica, com indicação exclusiva para disfunção sexual hipoativa (DSH) em mulheres na pós-menopausa, após exclusão de outras causas.

  • A terapia visa restaurar o desejo e energia, mantendo níveis abaixo de 50 ng/dL.

  • Deve ser feita com formulações transdérmicas de baixa concentração, sempre sob acompanhamento médico.

  • O uso de produtos masculinos ou sem controle laboratorial pode causar efeitos indesejados como acne, oleosidade, engrossamento da voz e aumento de pelos.

 

Benefícios esperados

  • Redução de ondas de calor, insônia e irritabilidade

  • Melhora da libido e lubrificação vaginal

  • Aumento de energia e foco mental

  • Proteção contra osteoporose e perda muscular

  • Melhora da pele, cabelos e humor

  • Redução do risco de síndrome metabólica e doença cardiovascular

 

Os maiores benefícios ocorrem quando a reposição é iniciada precocemente e conduzida com segurança.

 

Monitorização e ajuste de doses

Durante a terapia, o acompanhamento inclui:

  • Dosagens de estradiol, progesterona e testosterona

  • Perfil lipídico, glicemia e função hepática

  • Avaliação mamária e endometrial periódica

 

Momentos ideais para coleta:

  • Oral: 12 horas após última dose

  • Transdérmica: 6 a 12 horas após aplicação

  • Vaginal: conforme orientação médica individual

A resposta clínica deve guiar ajustes — o equilíbrio ideal é aquele em que a paciente se sente bem, segura e funcional.

Envelhecer com equilíbrio

A menopausa não é o fim da vitalidade — é uma nova fase de autocuidado e liberdade, onde o corpo pode continuar forte e a mente, plena.
 

Com orientação adequada, estilo de vida saudável e reposição hormonal segura, é possível viver com energia, autoestima e longevidade.

 

Referências Científicas:

  • The 2023 Position Statement of The North American Menopause Society (NAMS), Menopause, 2023.

  • de Villiers TJ et al. Global Consensus Statement on Menopausal Hormone Therapy. Climacteric, 2020.

  • Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Diretrizes sobre Terapia Hormonal na Menopausa, 2023.

  • Manson JE et al. Menopausal Hormone Therapy and Health Outcomes During the Intervention and Extended Poststopping Phases of the Women’s Health Initiative Randomized Trials. JAMA, 2021.

  • Santoro N et al. Management of Menopausal Symptoms: Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab, 2016.

bottom of page