Hipertireoidismo
Você sente o coração acelerar mesmo em repouso, as mãos tremem, o sono não vem, e a perda de peso acontece sem intenção? Se isso soa familiar, é possível que sua tireoide esteja trabalhando em ritmo acelerado. Essa condição é chamada de hipertireoidismo, um distúrbio em que a glândula tireoide produz hormônios em excesso, afetando o metabolismo de todo o corpo.

O que é o Hipertireoidismo
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O hipertireoidismo ocorre quando a tireoide — glândula localizada na parte anterior do pescoço — libera quantidades excessivas dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina). Esses hormônios são os responsáveis por regular o gasto de energia e a velocidade das funções metabólicas do corpo.
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Quando estão em excesso, o organismo entra em “modo acelerado”, o que causa diversos sintomas físicos e emocionais.
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As causas mais comuns incluem:
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Doença de Graves (autoimune, mais comum em mulheres jovens);
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Bócio multinodular tóxico;
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Adenoma tóxico (nódulo hiperfuncionante);
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Tireoidite (liberação transitória de hormônio);
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Uso excessivo de iodo ou de medicações hormonais.
Sintomas mais comuns:
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Taquicardia ou palpitações
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Tremores nas mãos
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Ansiedade, irritabilidade e insônia
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Sudorese e intolerância ao calor
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Perda de peso, mesmo com apetite aumentado
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Fraqueza muscular e fadiga
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Diarreia ou aumento da frequência intestinal
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Alterações menstruais
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Em alguns casos, olhos proeminentes (exoftalmia)
Os sintomas costumam se desenvolver de forma gradual, e muitas vezes são confundidos com estresse, ansiedade ou envelhecimento.
Diagnóstico:
O diagnóstico é feito por exames de sangue, avaliando:
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TSH (Hormônio estimulante da tireoide) — normalmente baixo ou indetectável;
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T4 livre e T3
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A pesquisa de anticorpos antirreceptor de TSH (TRAb) confirma a Doença de Graves.
Exames de imagem, como ultrassonografia da tireoide e cintilografia com iodo radioativo, ajudam a identificar a causa e o padrão de funcionamento da glândula.
Tratamento
O tratamento depende da causa e da gravidade, podendo envolver três abordagens principais:
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Antitireoidianos (Metimazol ou Propiltiouracil)
Reduzem a produção hormonal da tireoide. São o tratamento inicial mais comum, especialmente em casos de Graves. -
Iodo radioativo (I¹³¹)
Utilizado para destruir parte da glândula tireoide e reduzir sua atividade, com acompanhamento posterior para prevenir hipotireoidismo. -
Cirurgia (Tireoidectomia parcial ou total)
Indicada em casos de bócio volumoso, suspeita de câncer ou falha dos outros tratamentos.
Além disso, o uso de betabloqueadores (como propranolol) é importante para controlar os sintomas cardíacos e tremores até que os hormônios se normalizem.
Acompanhamento
Após o início do tratamento, o monitoramento é feito com dosagens seriadas de TSH, T4 livre, T3 total e, nos casos de Doença de Graves, dosagem do TRAb, ajustando as doses conforme a resposta clínica e laboratorial.
A recuperação dos níveis normais pode levar algumas semanas ou meses, e o acompanhamento regular com endocrinologista é fundamental.
Referências Científicas:
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Ross DS et al. 2016 American Thyroid Association Guidelines for Diagnosis and Management of Hyperthyroidism and Other Causes of Thyrotoxicosis. Thyroid, 2016.
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Bahn RS et al. Hyperthyroidism and Other Causes of Thyrotoxicosis. NEJM, 2020.
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Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Diretrizes para diagnóstico e tratamento do hipertireoidismo, 2023.
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Taylor PN et al. Hyperthyroidism and Thyrotoxicosis: Review. JAMA, 2022.
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Brent GA. Clinical Practice: Graves' Disease. NEJM, 2008.