Reposição Hormonal Masculina
Você sente que sua disposição, foco ou libido não são mais os mesmos?
Com o passar do tempo, é natural que o corpo masculino passe por mudanças hormonais — mas isso não precisa significar perda de vitalidade.
A reposição hormonal masculina, quando bem indicada e acompanhada, é uma estratégia segura para restaurar o equilíbrio metabólico, melhorar a qualidade de vida e otimizar performance física e mental.
Mais do que apenas reposição, o objetivo é devolver energia, confiança e vigor, promovendo longevidade com saúde e autonomia.

O que é o declínio hormonal masculino
A partir dos 30 anos, ocorre uma redução progressiva na produção de testosterona, essa queda é lenta, mas pode gerar impactos significativos, como:
-
Queda de libido e disfunção erétil
-
Diminuição da massa muscular e aumento da gordura abdominal
-
Redução da densidade óssea
-
Fadiga crônica, perda de energia e alterações de humor
Avaliação e Diagnóstico
Antes de qualquer reposição, é essencial uma avaliação clínica detalhada e exames laboratoriais específicos, que incluem:
-
Testosterona total e livre
-
LH e FSH (para diferenciar causas testiculares ou centrais)
-
Prolactina e SHBG
-
Perfil lipídico e glicêmico
-
Função hepática e hematócrito
-
PSA (avaliar próstata)
O diagnóstico é confirmado quando há níveis baixos de testosterona associados a sintomas clínicos compatíveis.
O tratamento nunca deve ser iniciado apenas com base em queixas subjetivas ou por uso estético sem acompanhamento médico.
Formas de Reposição Hormonal Disponíveis no Brasil
No Brasil, as formulações de testosterona aprovadas pela Anvisa e amplamente utilizadas em protocolos médicos seguros incluem:
-
Deposteron® e Durateston® (testosteronas injetáveis de liberação intermediária e mista)
-
Deposteron® contém cipionato de testosterona, um éster de liberação intermediária, aplicado por via intramuscular geralmente a cada 2 a 3 semanas.
-
Durateston® é uma combinação de quatro ésteres de testosterona — propionato, fenilpropionato, isocaproato e decanoato — que proporcionam liberação rápida e sustentada do hormônio, com aplicações geralmente a cada 2 a 4 semanas.
-
Ambas as formulações apresentam efeitos clínicos semelhantes, promovendo elevação gradual e consistente dos níveis séricos de testosterona, com boa tolerabilidade e ampla disponibilidade em farmácias.
-
São as opções mais utilizadas na prática clínica, especialmente em terapias de início e manutenção da reposição hormonal masculina.
-
-
Undecilato de Testosterona (Nebido®)
-
Formulação de liberação prolongada, com aplicação intramuscular profunda a cada 10 a 14 semanas.
-
Mantém níveis hormonais estáveis, reduzindo variações e proporcionando conforto ao paciente.
-
Ideal para homens que desejam uma opção de baixa frequência de aplicação, com acompanhamento médico regular.
-
-
Androgel® (testosterona transdérmica)
-
Gel de uso diário, aplicado na pele (geralmente nos ombros, braços ou abdômen).
-
Libera testosterona de forma contínua e controlada, mantendo níveis fisiológicos ao longo do dia.
-
Boa alternativa para pacientes que preferem evitar injeções ou necessitam de ajustes finos de dose.
-
A escolha da formulação deve considerar perfil clínico, estilo de vida e metas terapêuticas, sempre com monitoramento laboratorial regular.
Todas as formas devem ser prescritas com monitoramento rigoroso, ajustando doses conforme resposta clínica e laboratorial.
Benefícios esperados
Quando bem indicada e acompanhada, a reposição hormonal masculina pode promover:
-
Melhora significativa da energia e disposição diária
-
Aumento da força e massa muscular
-
Redução da gordura corporal
-
Melhora da libido e função sexual
-
Sono mais profundo e reparador
-
Aumento da motivação, foco e autoconfiança
Além disso, estudos mostram melhora na sensibilidade à insulina, perfil lipídico e saúde óssea.
Riscos e cuidados
O uso incorreto de testosterona, sem supervisão médica, pode causar:
-
Aumento excessivo do hematócrito (risco cardiovascular)
-
Supressão da produção natural de testosterona
-
Alterações hepáticas
-
Acne, oleosidade e queda de cabelo
-
Aumento do voluma da próstata
Por isso, o acompanhamento médico é fundamental, com reavaliações periódicas de hormônios, sangue e função prostática (PSA).
O equilíbrio como objetivo
A reposição hormonal deve ter como meta restaurar níveis fisiológicos de testosterona, e não ultrapassá-los.
O objetivo é atingir a faixa-alvo ideal, garantindo benefícios clínicos e metabólicos sem riscos de superdosagem.
-
Em homens adultos jovens, a meta terapêutica é manter níveis séricos de testosterona entre 500 e 900 ng/dL.
-
Em homens acima de 60 anos, busca-se uma faixa mais conservadora, entre 400 e 700 ng/dL, ajustando conforme resposta clínica e tolerância.
Essas metas devem ser alcançadas de forma gradual e segura, evitando picos e quedas hormonais abruptas.
Monitorização e ajuste de doses
Durante o tratamento, é indispensável o monitoramento laboratorial regular, incluindo:
-
Testosterona total
-
Hematócrito e hemoglobina
-
Função hepática e perfil lipídico
-
PSA
Os exames devem ser realizados no momento adequado para refletir fielmente os níveis hormonais, conforme o tipo de reposição:
TABELA
A análise clínica e laboratorial conjunta orienta os ajustes de dose e frequência, garantindo estabilidade, eficácia e segurança a longo prazo.
Referências Científicas:
-
Bhasin S et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. J Clin Endocrinol Metab, 2018.
-
Corona G et al. Reappraisal of Testosterone Deficiency and Its Treatment in Men. Lancet Diabetes Endocrinol, 2023.
-
Saad F et al. Testosterone Therapy and Cardiovascular Risk: A Review of Recent Studies. JAMA Network Open, 2021.
-
Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). Diretrizes de Terapia Androgênica Masculina, 2023.
-
Snyder PJ. Approach to Older Men with Low Testosterone. NEJM, 2020.